terça-feira, 19 de janeiro de 2010

DAR CONTA DE SI MESMO


Hoje estive pensando em como é difícil não dar conta de si mesmo. Não dar mesmo, no sentido mais amplo que essa denominação pode ter. Digo aspirar uma coisa com a cabeça e realizar outra com o corpo.

Nem sempre é possível ter esse auto controle. Nunca damos conta de si completamente, mas esse exercício, a meu ver, tem que ser feito. Temos que dar conta de acordar no horário, de não ligar se essa for a proposta, de não dar quando não quer, saber dizer não quando a situação exige.

É bom não depender sempre do corpo para tomar decisões, elas quase sempre são irracionais e não é a toa que temos um cérebro. Parece moralismo isso que digo, mas não é. Só falo do cuidado que devemos ter com a gente mesmo. Temos que buscar relações que nos trazem mais prazer do que dor, mais felicidade do que sofrimento.

Perdoem o tom piegas desse texto mas eu precisava falar sobre isso. Talvez por já ter me boicotado muito, ainda que pensando o contrário. Mas hoje vejo que a distância histórica dos fatos nos permite enxergar tudo com certa lucidez. Eu realmente me feria, mas não sabia, ou fingia não saber, costumamos usar desses subterfúgios para nos enganar, é quase natural.

Horace Walpole diz que o mundo é uma comédia para aqueles que pensam, uma tragédia para aqueles que sentem. Parece frio, mas é isso. Sentir e viver intensamente é lindo! Mas às vezes isso machuca, fere e deixa marcas. Tem gente que não consegue pensar na intensidade sem sofrimento, mas é uma contradição, se é intenso não tinha que ser bom?

Eu mesma, já cansei de repetir que “todas as coisas fluem”, costuma ser bem interessante pensar nisso, é como se sofrêssemos menos e não tem problema algum já que tudo vai passar. Vai mesmo passar, mas vai passar nos tirando certa pureza, nos deixando certa dor e com pouquíssimas chances de acreditar no seres humanos.

Eu quero continuar acreditando, e por mais que a vida seja dura por natureza, a minha parte tem que ser feita, que é amaciá-la, cuidando de mim e tentando cuidar dos que amo.

Temos que dar conta de si mesmo. Ou pelo menos tentar...

Um comentário:

Professor Alan Geraldo disse...

ótimo.

Não somos os animais escolhidos por Deus. Somos o que somos. Sapiens Sapiens. Sabemos que sabemos.

Saber que sabemos do poder de sempre nos melhorar para melhorar os nossos sendo racionais e não apenas instintivos é o nosso grande diferencial...

... ainda bem que minha razão ouve meus instintos.