sábado, 15 de novembro de 2008

CANSADA DE EXISTIR

Hoje eu não quero fazer nada comigo, pensei em morrer. Mas só por uns dias. Depois retornaria como se nada tivesse acorrido. Infelizmente não é possível: ou vive-se ou morre-se. È uma questão de escolha. (Sempre uma questão de escolha).
O mundo reforça diariamente a nossa liberdade de escolha, meu corte de cabelo, minha jaqueta bordada, minha maquiagem não feita, meu amor inexistente e por último a não vontade de viver.
E por que não viver? Mesmo com tudo e apesar de tudo é uma experiência surpreendente. A própria negação da existência é sinal de mutação, de eterna provocação de você para você mesmo.
Porque então nos cansamos de existir se nos parece tudo tão fascinante?
Porque queremos demais e tudo que se quer em demasia trás dor, sofrimento, decepção, ódio e uma quantidade enorme de desejo de continuar e ver até onde suportamos...
Preciso me contradizer, nem todo o nosso existir é uma escolha. Vive-se e continuasse vivendo por desejo, não por escolha. Há desejos que ultrapassam a nossa própria liberdade de escolha, não se escolhe, se deseja.
Digo isso com certo sofrimento e certo prazer...eu sempre quis ser livre, mas sempre quis ter ilusões.

Natália Barud

2 comentários:

Kenia disse...

muito bom!

Souto disse...

Penso, logo existo...
Desejo, logo desisto!

Nhá